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“Neopronouns”: já ouviu falar? Entenda o que são esses novos pronomes e como usá-los

“Neopronouns”: já ouviu falar? Entenda o que são esses novos pronomes e como usá-los

A língua é viva e está em constante evolução. Prova disso são os “neopronouns” (“novos pronomes”, em tradução livre para o português). Essas novas formas de se referir às pessoas vêm ganhando cada vez mais visibilidade com o avanço dos debates sobre identidade de gênero e gênero não-conformista.

Pode parecer confuso no início, mas entender como usar esses novos pronomes já deveria ser algo praticado por toda sociedade. Afinal, essa linguagem é uma das formas de inclusão das pessoas que não se identificam com os pronomes masculinos ou femininos usualmente praticados.

“Neopronouns”: linguagem neutra 

Tanto no português como no inglês os pronomes pessoais são tipicamente de gênero. Ou seja, quando nos referimos às pessoas no masculino, usamos “ele/dele” ou “he/him”. Já no gênero feminino, costumamos usar “ela/dela” ou “she/her”. 

No entanto, o uso desses pronomes é limitado para algumas pessoas, como é o caso das não-binárias, que não se identificam com a binariedade. Ou seja, suas identidades de gênero podem estar associadas com as representações tanto do homem quanto da mulher ou não se encaixarem em nenhuma delas. 

Assim, no inglês, as pessoas não-binárias têm preferido o uso de pronomes de gênero neutro, como “they/them”. Mas, na língua portuguesa, o uso desses pronomes ainda traz conotação de gênero, e não há uma regra geral. Por isso, alguns sistemas foram pensados para a língua portuguesa, que sejam neutros e não-binários, sendo alguns deles:

Sistema ELU/DELU

Neste formato, que é visto como um dos mais práticos por estudiosos do assunto, os artigos feminino e masculino “a” e “o” no final dos pronomes são substituídos por “u”. Ao invés de dizer “ele” ou “ela”, diz-se “elu”. Para “dele” ou “dela”, utilize-se “delu”. 

Sistema ILE/DILE

Em 2014, a partir do manifesto “Para uma comunicação radicalmente inclusiva”, surgiu esse sistema no Brasil, em defesa do pronome “ile” como forma de inclusão do gênero não-binário na língua portuguesa. Nesse formato substitui-se os pronomes pessoais femininos e masculinos por “ile” ou “dile”.

Sistemas ELU/DELU e ILE/DILE: inclusão de PCDs

Muita gente se habituou ao uso de “x” ou “@” para neutralizar o gênero de palavras, como em “todxs” ou “[email protected]”. Porém, com o decorrer do tempo observou-se que esse formato pode até funcionar na escrita, mas apresenta falha na leitura, oralidade e audição. 

A substituição de “x” ou “@” pelos sistemas ELU/DELU e ILE/DILE também é uma forma de incluir na comunicação neutra as pessoas com deficiências visuais, que utilizam programas de leitura através de som, além de indivíduos com dislexia.

“Neopronouns”: avanço na língua inglesa

Recentemente, a língua inglesa vem passando por mais avanços no que se refere à linguagem neutra para inclusão das pessoas que não se sentem representadas até mesmo pelas novas formas de uso de pronomes não-binários. É o caso de pessoas “genderqueer”, “agender”, “neutrois” ou “demiboy”, por exemplo. 

A partir das necessidades cada vez mais frequentes dessas pessoas é que surgiram outras opções de novos pronomes ou “neopronouns”. São eles: 

  • ze/zir/zirs
  • ze/hir/hirs
  • xe/xem/xyrs
  • ey/em/eirs
  • fae/faer/faers
  • e/em/ems
  • ve/vir/vis
  • ne/nem/nir
  • per/per/pers

Os pronomes acima foram pensados na língua inglesa para mostrar as formas subjetivas/objetivas/possessivas, assim como os pronomes they/them/their. No caso dos novos pronomes xe/xem/xyrs, o uso poderia ser no seguinte formato, como exemplifica o portal LGBTQ Nation:

“I saw Robin today. Xe told me about xyr recent trip to Colorado, where xe went rock climbing with xyr partner Kai. I told xem that if xe ever decided to head out to the Rockies again, xe should definitely check out the Flying Buttress.” 

Algumas pessoas preferem usar vários conjuntos de pronomes. Por exemplo, enquanto Robin prefere os pronomes xe/xem/xyrs, o parceiro Kai pode usar os pronomes “ey/em/eirs” e “she/her/hers”. 

A dica de especialistas e estudiosos do tema é perguntar à outra pessoa se ela tem uma preferência primária no uso do pronome. Algumas pessoas podem não se importar em usar um ou outro com mais frequência. Outras podem gostar mais de usar seus pronomes alternadamente. 

Linguagem inclusiva na tradução

A Korn Traduções está sempre acompanhando as atualizações da língua mundo afora para promover a inclusão e acessibilidade nos trabalhos realizados pela equipe de tradutores e tradutoras. 

Segundo as Diretrizes da UNESCO de 1999 sobre Linguagem Neutra de Gênero, “a linguagem não reflete apenas a maneira como pensamos; ela também molda nosso pensamento”. 

Portanto, acreditamos que a linguagem que escolhemos usar importa. Assim, nosso objetivo é acompanhar a transformação da sociedade e dar os passos que forem possíveis para usar uma linguagem mais neutra e inclusiva.

Quais são os pronomes neutros? Como usar o sistema elu? Como usar elu Delu? Estas e outras perguntas você encontra aqui. 

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