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Linguagem inclusiva nos idiomas inglês e português

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Linguagem inclusiva

De acordo com a definição da Wikipedia, “linguagem neutra em termos de gênero, ou linguagem inclusiva de gênero, é aquela que evita o preconceito em relação a um determinado sexo ou gênero social”.

Inicialmente, no início dos anos 1970, o foco estava nos direitos das mulheres e no afastamento da forma masculina como padrão. Isso levou à publicação de vários guias de estilo, como as diretrizes do Conselho Nacional de Professores de Inglês (NCTE), em 1975, intitulado: “Diretrizes para o Uso Não Sexista da Linguagem nas Publicações do NCTE” (“Guidelines for Nonsexist Use of Language in NCTE Publications”). Além de sugerir o uso de termos como “firefighter”, em vez de “fireman”, por exemplo, para se referir aos profissionais da proteção civil, também visava aumentar a conscientização sobre suposições em torno de papéis de gênero, como endereçar recados da escola para as mães, presumindo que elas sejam as cuidadoras principais.

Conversa sobre linguagem inclusiva na atualidade

Mais recentemente, o foco tem mudado para a linguagem inclusiva de gênero que não exclui aqueles para quem o binário masculino/feminino não reflete sua realidade. Esse grupo inclui pessoas como transgêneros, que desejam ser abordadas em uma linguagem que reflita corretamente a forma com a qual se identificam, bem como aquelas que se identificam como não binárias e consideram a binariedade uma estrutura limitante e insuficiente para descrevê-las.

No Brasil, também existe um movimento que busca incorporar a linguagem neutra à fala e à escrita. A intenção da iniciativa também é refletir sobre os usos considerados não representativos da língua portuguesa e torná-la mais inclusiva para pessoas que não se enquadram na binariedade de gênero impostas pela sociedade.

Essa pauta, porém, é alvo de diversas discussões e polêmicas desde seu surgimento há alguns anos. De um lado, os ativistas de movimentos sociais, principalmente aqueles voltados à população LGBTQIAP+, argumentam a favor da mudança e apresentam diversas alternativas à linguagem neutra. Por outro lado, alguns profissionais da linguística, defensores mais conservadores da gramática normativa e membros da sociedade em geral afirmam que esse tipo de mudança é redundante e pode até prejudicar a compreensão escrita e oral.

Esses últimos afirmam que, devido a uma fusão dos gêneros masculino e neutro derivados do latim, quando falamos “todos” ao nos referir a uma sala cheia de pessoas diferentes, sabemos que a palavra se refere a todas as pessoas presentes e indica uma não especificação de gênero

Fato é que a linguagem neutra tem sido cada vez mais utilizada, tanto em textos oficiais quanto na língua falada, por diversas pessoas, influentes ou não, e é importante entender os seus argumentos e os seus usos. 

Argumentos sobre o uso da linguagem neutra

Um dos principais argumentos dos defensores da linguagem neutra é que o uso do gênero masculino como gênero neutro (como o uso de “todos” para se referir a um grupo que inclua pessoas de todos os gêneros) é um reflexo das estruturas patriarcais de uma sociedade que sempre colocou o homem acima da mulher e excluiu pessoas que não se enquadram nas percepções mais antigas de sexo e gênero. Por isso, e com base no fato de que a língua é viva e está sempre em constante evolução, aos adeptos existem alguns recursos que podem ser usados para tornar uma comunicação mais neutra e inclusiva.

Assim que o movimento se popularizou, tornou-se comum o uso, em textos escritos, de “x” ou “@” no lugar da vogal, como “todxs” ou “[email protected]”. Contudo, essa prática não é considerada ideal porque, por ser impossível de se pronunciar na língua falada, torna o texto neutro, mas não inclusivo, já que ele excluiria pessoas com deficiência visual, por exemplo, que usam programas de leitura de texto.

Atualmente, o recurso mais utilizado é a vogal “e” nas palavras que são flexionadas de acordo com o gênero, como “todes” ou “menines” e o uso de pronomes como “elu”. Essa proposta se baseia em pronomes demonstrativos neutros do latim e é considerada a mais reconhecida e aceitável entre as opções disponíveis até hoje. 

Outra alternativa bastante defendida é a utilização, o máximo possível, de termos e expressões mais inclusivas, como aquelas que designam uma classe (“classe política” em vez de “políticos”, “diretoria” em vez de “diretores”, “pessoas beneficiárias” em vez de “beneficiários”), e a supressão de artigos definidos (“Ana foi à escola” em vez de “A Ana foi à escola) e pronomes (“esperamos até que chegasse” em vez “esperamos até que ele chegasse”) quando possível.

Qual é a proposta real do movimento?

É importante frisar que a proposta do movimento não é impor uma mudança radical à língua em si, mas sim buscar uma reflexão e novas perspectivas sobre a sua utilização e como podemos, como sociedade, mudar alguns hábitos para melhor incluir pessoas historicamente marginalizadas no discurso diário. Mesmo essa não sendo uma solução para todos os problemas que essas pessoas enfrentam diariamente em suas vidas, transformações podem ocorrer aos poucos.

Linguagem inclusiva no idioma inglês

Voltando a falar do inglês, podemos dizer que essa língua não enfrenta muitos desafios, em termos de classes gramaticais, quanto à neutralidade ou à inclusão em relação ao gênero. Ela é, principalmente, uma questão de pronomes: he/his e she/her. Embora já se tenha tentado criar pronomes neutros de gênero, como ze/zir (por exemplo: Taylor lives in São Paulo but ze comes from Minas and zir family still lives there), muitas pessoas preferem usar os pronomes they/their, que têm a vantagem de já existirem no idioma e não exigirem concentração para serem usados corretamente.

Há um argumento de que “they/their” estão no plural e, portanto, não devem ser usados quando se referem a uma única pessoa. Contudo, na realidade, esses pronomes são amplamente usados na linguagem cotidiana para se referir a uma pessoa desconhecida, por exemplo, “Someone called me from an unknown number, but they didn’t leave a message” (“Alguém me ligou de um número desconhecido, mas não deixaram recado”). Historicamente, o pronome “they” já foi usado dessa forma por Jane Austen, Shakespeare e até mesmo Chaucer. Além disso, mesmo se desconsiderarmos as questões de neutralidade e inclusão, usar “they” é, muitas vezes, uma alternativa mais elegante do que os “he/she” e “his/her” que, de outra forma, usaríamos ao falar sobre uma pessoa desconhecida.

Portanto, o uso do “they” já é estabelecido, embora seu uso para se referir a uma pessoa de forma neutra em relação ao gênero seja relativamente novo.

Implicações da linguagem inclusiva na tradução

Por fim, quais são as implicações para nosso trabalho na Korn? Podemos começar observando os passos que podemos tomar para usar uma linguagem mais neutra em termos de gênero, principalmente no inglês.

– Podemos usar alternativas neutras sempre que possível; por exemplo, “chairperson” ou “chair”, em vez de “chairman”.

– Frases que falam sobre um indivíduo desconhecido ou não especificado podem ser reformuladas para o plural, se possível, ou podem permanecer no singular com o uso do pronome “they”. “Shareholders wishing to dispose of their shares…” ou “Any Shareholder who wishes to dispose of their shares…” (no português, podemos adaptar como “Acionistas que desejarem alienar suas ações…”).

– Da mesma forma, em frases que mencionam indivíduos não especificados, podemos, muitas vezes, evitar os pronomes possessivos e simplesmente usar um artigo definido ou indefinido (“Candidates must show an identity document” / “Pessoas inscritas devem apresentar um documento de identificação”).

– Podemos lembrar que o inglês tem um vocabulário rico e é quase certo que há outra palavra que pode ser usada, como parent – mother/father; sibiling – brother/sister; child – son/daughter.

Como afirmam as Diretrizes da UNESCO de 1999 sobre Linguagem Neutra de Gênero, “a linguagem não reflete apenas a maneira como pensamos; ela também molda nosso pensamento”. A linguagem que escolhemos usar importa. E na língua inglesa, pelo menos, a inclusão é uma escolha que enfrenta pouquíssimas restrições pela própria estrutura da língua.

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