A boa tradução pode minimizar questões relacionadas à cobrança

*Por Célia Korn

Sou tradutora juramentada e meu escritório, a Korn Traduções, presta serviços de tradução técnica e tradução juramentada para empresas ao redor do mundo. Octávio Aronis, um grande parceiro e integrante do escritório de advocacia de cobrança internacional Aronis Advogados, pediu-me para redigir um artigo demonstrando como traduções e cobranças estão frequentemente conectadas.

Embora a maior parte de nosso trabalho consista em traduzir diversos tipos de documentos no início e durante um relacionamento comercial, também é comum sermos procurados para traduzir documentos comerciais e jurídicos que dão suporte a litígios e outros tipos de procedimentos jurídicos, sobretudo quando o cliente deixou de pagar o que devia. Como tradutora com mais de 20 anos de experiência na profissão, permita-me sugerir algumas ideias para minimizar possíveis problemas relativos à cobrança.

Por gentileza, não parta do pressuposto que todas as pessoas leem, escrevem e entendem o inglês de forma fluente.

Embora o idioma seja utilizado como “língua franca”, há quase sempre uma expectativa por parte dos países de língua inglesa de que o mundo todo seja capaz de falar, ler e escrever em inglês fluentemente. Muitas vezes, excelentes falantes de um idioma não se encontram tecnicamente preparados para a leitura e compreensão de textos. Em uma situação assim, o exportador estrangeiro pode ser induzido a acreditar que seus contratos e demais documentos jurídicos, ainda que assinados, sejam bem compreendidos.

Documentos precisam ser juridicamente vinculativos. 

Vale enfatizar que não basta que os seus documentos contratuais importantes sejam traduzidos para o idioma do seu cliente; é necessário certificar-se de que todos os termos e condições sejam juridicamente vinculativos no país do seu cliente.

Evite o uso de softwares de tradução sem pós-edição humana. 

Quando um cliente nos envia os seus documentos que foram traduzidos por um software de tradução, geralmente suas nuances culturais, jurídicas e linguísticas ficam bastante comprometidas. Além disso, é frequente nos depararmos com duplas e triplas negativas em uma mesma sentença, o que resulta em um entendimento contrário daquele que o remetente pretendia comunicar. Não sabemos o que o futuro nos reserva, mas no presente, apenas seres humanos devidamente capacitados estão aptos a decifrar todas as nuances de um texto complexo.

Pedidos de compra, faturas, demonstrações e outros documentos deveriam ser bilíngues. 

Já que contadores, pessoal de depósito e demais membros da equipe podem não dominar o idioma inglês na empresa do seu cliente, manter esses documentos em ambos os idiomas facilitará a velocidade e a exatidão do processo.

Mantenha simplicidade e foco no teor da sua comunicação. 

Algumas vezes nos é solicitada a tradução de textos com sentenças muito longas, com várias orações. Na verdade, o objeto está tão longe do sujeito que nem sempre conseguimos entender o que está realmente sendo dito. Sentenças curtas, com uma ou duas ideias relacionadas e linguagem mais simples, facilitam o entendimento por serem claras e concisas. Sempre que possível, evite o “juridiquês”, já que isso dificulta enormemente a tradução para outros idiomas.

Evite gírias e acrônimos. 

Embora vivamos em um mundo repleto acrônimos, cada vez mais utilizados para agilizar expressões longas como, por exemplo, IMHO (“In my humble opinion” ou, em português, “Em minha humilde opinião”), se o cliente não estiver atualizado quanto ao seu significado, esses poderão gerar confusão e serem interpretados de forma diferente daquela pretendida. Certa vez, eu estava traduzindo uma troca de e-mails na qual o fornecedor disse para o cliente que o considerava um “cool guy” (em português, um cara legal). O cliente, ao traduzir a expressão palavra por palavra, ofendeu-se e respondeu que não era “cold hearted” (em português, uma pessoa fria). Fique atento, pois as gírias podem ser mal interpretadas.

Utilize linguagem educada e gramaticalmente correta.

Assim como o tom, o estilo e a precisão gramatical do seu texto transmitirão sinceridade e autenticidade, ajudando a manter abertas as linhas de comunicação, mesmo quando houver controvérsias com relação a produtos ou serviços.

Espero que as ideias acima, vistas pela perspectiva de um tradutor, sejam úteis para futuros empreendimentos de sucesso no Brasil e demais países da América Latina.

Favor enviar suas dúvidas e comentários para a Célia Korn em [email protected]

Este artigo foi editado por Steven Gan da Stellar Risk Management Services, Inc.[:en]*By Célia Korn, President Korn Traduções

I was recently asked by a very good associate of mine, Octávio Aronis of the international collection law firm, Aronis Advogados, to write an article on how translations and collections are often connected.

You see, although the majority of our work is assisting companies to translate many kinds of documents while they are in the beginning and ongoing stages of a business relationship, we are also often requested to translate many commercial and legal documents to support litigation and other kinds of legal procedures, especially when the customer has not paid. As a translator with over 30 years in this profession, allow me to give you my best thoughts and ideas for minimizing potential collection issues.

Please kindly don’t assume that everyone reads, writes, and understands English fluently. Although English is used as the world’s “lingua franca,” there is often an expectation from countries where English is the native language that the whole world is also able to speak, read and write English as well as they do. Many times very good speakers of a language may not be technically proficient in reading and understanding. In this situation, the overseas exporter may be lulled into believing that their contracts and other legal documents, even when signed, will be well understood.

Documents need to be legally binding. It can’t be overemphasized to have your important contractual documents not only translated into the language of your customer, but to also make sure that all of the terms and conditions are legally binding in your customer’s country. As you can understand, translating documents that are not legally binding will not be useful for you.

Avoid translation software without human post editing. When a client sends us their documents that have been translated by translation software, the cultural, legal, and linguistic nuances are often missing. Moreover, we often see double and triple negatives in a sentence that convey the complete opposite of what the sender intended to mean. Without question, only us humans can truly decipher all the nuances of a complicated translation.

Regular purchase orders, invoices, statements, and other documents should be bi-lingual. As the accounting, warehousing, and other staff may not have a good command of English at your customer’s company, having these documents in both languages will facilitate the speed and correctness in which they are processed.

Keep your communication content simple and focused. Sometimes we are asked to translate communication content that includes long drawn out sentences with many sub-clauses. In fact, the object is so far away from the subject that it’s confusing as to what is being ultimately stated. Short sentences, with one or two connected ideas, with plain language will keep the lines of understanding clear and concise.

Avoid slang and acronyms. Although we live in a world of high speed acronyms (IMHO, AFAIK, and BTW), if your customer is not up to date with the meaning of these items, they may cause confusion and be interpreted in a way that is not intended. I once translated an email exchange in which the supplier told the customer that he thought he was “a cool guy.” The customer had responded complaining that he was not “cold hearted.”

Use polite language and good grammar. This is an adjunct to the point above. Since the tone, style, and grammatical accuracy of your content will convey your sincerity and genuineness, this will always help to keep the lines of communication open, even when there are disputes against the products or services.

I hope the above ideas from a translator’s perspective will be of use to your future successful business endeavors in Brazil and other countries in Latin America.

Please send your questions and comments to Célia Korn at [email protected]

This article was edited by Steven Gan of Stellar Risk Management Services, Inc.[:]

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